Project Windless: Tudo Sobre o Soulslike do Galo Gigante Que Está Dando o Que Falar

De vez em quando, um anúncio consegue quebrar completamente a expectativa de quem está assistindo a uma live de apresentação de jogos. Foi exatamente isso que aconteceu quando a Krafton Montreal revelou Project Windless. Em meio a trailers cheios de guerreiros humanos, criaturas fantásticas e cenários grandiosos, surgiu, em câmera lenta, um guerreiro de quase três metros de altura empunhando espadas só que, em vez de um humano musculoso qualquer, o protagonista é um galo. Um galo gigante, definido dentro do universo do jogo como um rekon, membro de uma raça de aves humanoides conhecida pela força física descomunal.
A reação nas redes foi imediata, e é justamente sobre esse projeto peculiar que resolvi falar hoje.
Do que se trata Project Windless
Diferente do que muita gente pode imaginar à primeira vista, Project Windless não é uma criação original solta no vácuo. O jogo é baseado em The Bird That Drinks Tears (no Brasil, algo como “O Pássaro que Bebe Lágrimas”), uma série de romances de fantasia sul-coreana escrita por Lee Youngdo, bastante respeitada dentro do gênero por lá. Ao invés de adaptar diretamente os acontecimentos dos livros, o jogo funciona como uma espécie de prequel, se passando cerca de mil anos antes da trama original, num continente dividido por conflitos entre diferentes raças.
O jogador assume o controle desse Rekon logo no centro dessa guerra, sendo peça-chave em decisões que, segundo o próprio estúdio, vão moldar o surgimento de um novo reino. A narrativa parece dar bastante peso aos Nhaga, outra raça presente na obra original, que mantém uma relação bem particular e meio sombria com seus próprios corações, algo que já era elemento central dos livros e promete ser explorado dentro do jogo também.

No quesito jogabilidade, o combate acontece em tempo real, com foco em habilidade e ritmo intenso. O grande diferencial anunciado pela Krafton é uma tecnologia própria de processamento em massa, capaz de colocar centenas de inimigos em cena ao mesmo tempo, todos reagindo dinamicamente às ações do jogador, cercando e flanqueando de forma inteligente. Isso aproxima o jogo, em alguns momentos, de uma pegada musou só que, segundo a própria equipe, sem se limitar apenas a esse estilo. Quem está à frente do projeto é Patrik Méthé, veterano conhecido por seu trabalho na franquia Far Cry, e ele já deixou claro que a intenção não é fazer nem um God of War nem um Dynasty Warriors, mas sim algo que misture guerra em larga escala com liberdade de escolha típica de RPGs mais robustos.
O que a galera da internet tem achado do jogo
É engraçado observar como a reação inicial de boa parte da comunidade seguiu praticamente o mesmo roteiro: um misto de confusão e encantamento quase instantâneo. Muita gente relatou ter estranhado o visual do protagonista nos primeiros segundos do trailer, para logo em seguida ser fisgada pela apresentação como um todo.
O próprio Méthé, em entrevista, comentou que essa era exatamente a reação esperada pela equipe, algo entre um “espera, o quê?” e um “ok, eu quero jogar isso” o que, pelo visto, foi recebido como um sinal positivo internamente.
Outro ponto que gerou bastante repercussão nas redes foi um questionamento mais técnico: será que o jogo estaria usando inteligência artificial generativa para criar parte do seu conteúdo?
A dúvida surgiu rapidamente após o anúncio, e a Krafton precisou se posicionar publicamente sobre o assunto. Segundo a própria empresa, IA é utilizada apenas em etapas internas de exploração e otimização de processos, sem qualquer participação na criação de história, diálogos ou elementos narrativos, que seguem sendo desenvolvidos de forma tradicional pela equipe humana. A resposta pareceu acalmar boa parte dos fãs mais desconfiados, ainda que o assunto continue sendo debatido esporadicamente em fóruns e redes sociais.
Vale destacar também que, embora o termo “soulslike” tenha circulado bastante entre jogadores logo após o anúncio muito provavelmente pela estética sombria e pelo tom mais adulto do combate, a própria Krafton ainda não confirmou esse rótulo especificamente. O que foi divulgado oficialmente aponta para um RPG de ação em mundo aberto com forte ênfase em batalhas de grande escala, o que não impede, claro, que elementos de dificuldade elevada e combate mais técnico apareçam ao longo do desenvolvimento.

O que esperar daqui para frente
Aqui entra o ponto que costuma frustrar quem já se empolgou demais: Project Windless ainda está em fase bem inicial de desenvolvimento. Segundo declarações do próprio diretor, o projeto se encontra entre a concepção e a pré-alfa, o que sugere um caminho ainda longo pela frente até o lançamento. Nenhuma data foi divulgada até o momento, e tudo indica que o jogo vai demorar consideravelmente para chegar às lojas.
Se a proposta realmente se sustentar como algo entre RPG de ação, guerra em larga escala e narrativa inspirada numa obra literária respeitada, Project Windless tem tudo para se tornar um daqueles projetos que começam como piada nas redes sociais e terminam como um dos jogos mais comentados do ano de lançamento.
Por enquanto, resta acompanhar de perto as próximas atualizações e continuar torcendo para que o galo, literalmente, não decepcione.
Se você curte soulslikes e não recusa um bom desafio, tem um outro projeto que merece estar no seu radar: o Rabbit Project.
Inspirado no universo de Alice no País das Maravilhas, o jogo caminha na mesma linha que Lies of P provou dar certo pegar um conto de fadas clássico e transformá-lo em algo sombrio, difícil e cheio de personalidade. Escrevi um artigo completo sobre o assunto, vale a pena conferir: Lies of P provou que contos de fadas podem virar soulslike, e Rabbit Project pode levar essa ideia ainda mais longe
