Sister Ray: o RPG indie que vai te deixar desconfortável e isso é um elogio

Existe uma categoria de jogos que a gente não esquece fácil. Não porque são os mais bonitos, ou os mais emocionantes, mas porque chegam perto demais da realidade. Sister Ray é um desses jogos.

Lançado em 1º de junho de 2026 para PC via Steam, o título da desenvolvedora independente The Growing Stones chegou quietinho sem hype de AAA, sem trailers bombásticos e mesmo assim já conquistou avaliações “Muito Positivas” na plataforma. 87% das avaliações dos usuários no Steam são positivas. Pra um jogo indie que aborda temas tão pesados, isso fala muito.

Quem é Ray?

Sister Ray é um RPG-survival sobre o brutal cotidiano de Ray uma artista que luta contra a vício, enquanto cuida de sua irmã mais nova. Você precisa manter sua condição sob controle, porque ninguém pode saber da dependência. Melhore suas habilidades, venda pinturas, faça tudo para aliviar a abstinência crescente. Sobreviva e encontre uma saída.

É uma premissa que não tem como ser mais direta. Sem fantasia, sem espadas, sem magia. Só uma mulher tentando não afundar enquanto segura a mão da irmã.

Como o jogo funciona na prática?

A protagonista ganha a vida vendendo seus trabalhos, e conforme suas habilidades crescem, ela ganha novas oportunidades nesse campo, sonhando em chegar a uma exposição. Mas desenhar é só uma das coisas de que Ray precisa cuidar. As outras incluem criar a irmã e manter relacionamentos com amigos.

E o que torna tudo mais tenso? O tempo trabalha contra ela cada ação avança o relógio, e sua escassez obriga Ray a fazer escolhas difíceis sobre como gastá-lo. Pressão do Jogo

Cada elemento do jogo parece polido e projetado para imergir o jogador na experiência de enfrentar a dependência. A personagem caminha curvada pelo mundo, como se fosse pesado demais carregar tudo, enquanto o ângulo da câmera inclina e desfoca mostrando como ela está desequilibrada mesmo quando parece estar se mantendo.

E os diálogos? Certas escolhas de diálogo vêm acompanhadas de um minigame, onde você precisa parar uma linha em movimento rápido no ponto certo para dizer a coisa educada ou “correta”. Se falhar, seus pensamentos intrusivos ou agressivos vencem, criando mais problemas com as pessoas ao redor.

A cidade como cenário do caos pessoal

Viva cada dia do jogo como achar melhor. As únicas condições são sobreviver e não ser pego. Explore as ruas da cidade e visite locais importantes a escola, o bar, o parque, a delegacia.

A maior inimiga da saúde de Ray é a dependência com que ela luta. Ela funciona no limite da autodestruição, e precisa lidar com o vício satisfazendo a fome e/ou procurando uma forma de se livrar dele. Quando tudo falha e o dinheiro acaba, não sobra nada além de recorrer ao furto.

Um jogo que não tem medo do que é

Sister Ray ganha seu tema difícil com um design honesto: não é confortável, mas vale terminar. A crítica do GameBrief resume bem o espírito do jogo ele não tenta suavizar nada, e essa é exatamente a sua força.

The Growing Stones traz em seu portfólio o aclamado The Mildew Children, então esse estúdio já provou que sabe contar histórias que importam.

Pra quem é Sister Ray?

Se você é do tipo que jogou Celeste, Sea of Solitude ou qualquer jogo que trata saúde mental como algo real e não só como estética Sister Ray foi feito pra você. O jogo tem potencial para ser poderoso e significativo para quem se sente no estado emocional certo para experimentá-lo.

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