Universal Pictures fecha acordo com a Atari para adaptar dez jogos clássicos para o cinema

A Universal Pictures acaba de dar um passo ambicioso no universo dos videojogos clássicos. O estúdio fechou um acordo com a Atari que lhe garante os direitos para desenvolver adaptações cinematográficas de dez títulos icónicos da lendária marca. A notícia, avançada em exclusivo pela Deadline, revela que a parceria também envolve a produtora Entertainment 360, responsável por trazer projetos criativos para o grande ecrã.

Este acordo marca mais um capítulo na crescente onda de adaptações de videojogos para filmes, mas com uma particularidade: em vez de franquias modernas com gráficos realistas e histórias complexas, a Universal apostou em verdadeiros clássicos da era dourada dos arcades e dos primeiros consoles domésticos.

Os dez jogos incluídos no acordo

O pacote de direitos abrange alguns dos nomes mais emblemáticos da história da Atari. São eles:

  • Asteroids (1979) – O clássico shooter espacial onde o jogador controla uma nave que deve destruir asteroides enquanto evita colisões.
  • Adventure (1980) – Um dos primeiros jogos de aventura com exploração de labirintos e dragões.
  • Berzerk (1980) – Um shooter com robôs inimigos e um antagonista robótico icónico que insulta o jogador.
  • Breakout (1976) – O lendário jogo de quebra-tijolos, criado por Steve Jobs e Steve Wozniak antes da Apple.
  • Centipede (1981) – Shooter vertical com insetos gigantes e cogumelos.
  • Crystal Castles (1983) – Jogo de plataformas e labirintos em 3D isométrico.
  • Millipede (1982) – Sequência de Centipede com novas mecânicas.
  • Missile Command (1980) – Jogo de defesa civil contra mísseis nucleares, com forte tom de Guerra Fria.
  • Pong (1972) – O jogo que praticamente iniciou a indústria dos videojogos modernos.
  • Yars’ Revenge (1982) – Um dos títulos mais criativos da Atari 2600, com mecânicas únicas.

Ainda não foram revelados detalhes sobre qual destes jogos será o primeiro a ganhar uma adaptação, nem se a Universal pretende criar filmes individuais ou um universo cinematográfico interligado, semelhante ao que a Marvel fez com super-heróis ou a forma como a Paramount vem tratando o universo de Sonic e Transformers.

O primeiro argumento já está em desenvolvimento

Apesar do acordo abranger dez propriedades, a Universal já garantiu os direitos de um argumento original inspirado em um desses jogos. O roteiro está a cargo de Matt Reilly e Carl Hampe, sendo este último conhecido pelo seu trabalho em filmes como Hellboy (2019) e Jungle Cruise (2021). A produção fica a cargo de Guymon Casady, da Entertainment 360.

Em declarações à Deadline, Casady explicou o entusiasmo da equipa:

“Matt Reilly e eu crescemos a jogar na Atari 2600 e continuamos fãs até hoje. Os melhores jogos da Atari colocavam-nos dentro de um mundo e deixavam a nossa imaginação fazer o resto. O Carl e o Matt viram ali uma oportunidade para pegar nesse mesmo espírito e construir uma aventura original, em grande escala. Desde o momento em que lemos o argumento, acreditámos que havia ali um grande filme.”

Essa abordagem é interessante. Em vez de tentar replicar fielmente a jogabilidade simples dos títulos originais, a equipa criativa parece querer capturar a essência e o espírito dos jogos aquela sensação de maravilha e imaginação que os jogadores sentiam nos anos 70 e 80.

O ponto de vista da Atari

Wade Rosen, presidente e CEO da Atari, celebrou o acordo com entusiasmo:

“Há mais de cinco décadas que a Atari cria jogos e mundos que continuam a fazer parte da cultura popular muito depois do seu lançamento original. Estamos entusiasmados por trabalhar com a Universal e a Entertainment 360 para trazer o espírito da nossa marca icónica e dos nossos jogos para um novo meio.”

A declaração reforça o valor cultural duradouro da Atari. Fundada em 1972, a empresa foi pioneira na indústria e ajudou a popularizar os videojogos em todo o mundo. Títulos como Pong e Breakout não foram apenas jogos foram fenômenos culturais que influenciaram gerações de programadores, designers e cineastas.

Uma tentativa que não vingou

Esta não é a primeira vez que a Universal tenta trazer a Atari para as telas de cinema. Em 2009, o estúdio já havia adquirido os direitos de Asteroids. Na altura, Matthew Lopez foi contratado para escrever o argumento e Lorenzo di Bonaventura (produtor de Transformers) estava ligado ao projeto. No entanto, o filme nunca saiu do papel e acabou sendo arquivado.

Desta vez, o contexto é diferente. O mercado de adaptações de jogos está muito mais maduro, com vários sucessos recentes a provarem que é possível transformar propriedades de gaming em blockbusters.

O boom das adaptações de videojogos

Nos últimos anos, Hollywood tem investido pesado em adaptações de jogos. The Super Mario Bros. Movie (2023) e Sonic the Hedgehog (2020) foram enormes sucessos de bilheteira. The Last of Us, mesmo sendo uma série de televisão, elevou o padrão de qualidade narrativa. Arcane (baseado em League of Legends) e Fallout também mostraram que é possível manter a essência dos jogos e criar obras que agradam tanto a fãs quanto a novos públicos.

No entanto, os jogos da Atari representam um desafio maior. Lançados entre 1972 e 1983, a maioria possui gráficos extremamente simples, mecânicas repetitivas e praticamente nenhuma história. Pong, por exemplo, é apenas uma simulação de ténis de mesa com dois traços e uma bola. Breakout é uma variação de tijolos. Como transformar isso numa narrativa cinematográfica de duas horas com personagens complexos e emoção?

É exatamente aqui que reside a oportunidade. Os criadores não precisam de seguir a “história” dos jogos (porque, na maioria dos casos, ela é praticamente inexistente). Podem, em vez disso, usar os conceitos centrais invasões espaciais, defesa planetária, labirintos infinitos, competição simples como ponto de partida para aventuras originais, cheias de nostalgia e espetáculo visual.

O que esperar no futuro

Por enquanto, o projeto ainda está nos estágios iniciais. Não há datas de estreia, elenco ou diretores confirmados. O mais importante, neste momento, é que a Universal e a Atari parecem alinhadas na visão: respeitar o legado dos jogos sem ficarem presos à limitação técnica da época.

Para os fãs da Atari, especialmente aqueles que cresceram com a Atari 2600, este acordo representa uma chance de ver seus jogos de infância ganharem vida de formas inesperadas. Para a indústria, é mais uma prova de que o passado dos videojogos ainda tem muito valor comercial e criativo.

Resta agora acompanhar os próximos passos. Qual será o primeiro jogo a ser adaptado? Será uma comédia leve, um filme de ação épico ou algo mais experimental? Independentemente da escolha, uma coisa é certa: a era dos clássicos da Atari no cinema está apenas começando.

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